terça-feira, 1 de setembro de 2015

Meu nome é alabê de Jerusalém


Muita chuva
Muitos 9,7 na apuração
Uma escola tradicional de volta à série A
Depois de cantar com muita garra
Seu lindo samba de 2015
Você acha que isso é o suficiente para desanimar uma escola de samba?
Espero que sua resposta seja NÃO

Para 2016 a Unidos do Viradouro quer dar a volta por cima
Quer emocionar novamente na avenida
E para isso apostou numa das mais belas histórias da umbanda
O Alabê de Jerusalém

A vermelho e branco recebeu seus sambas
De cara uma parceria chamava atenção
Felipe Filósofo e cia na voz de Wander Pires
Trilhavam um caminho que se tornaria histórico
Ao lado de nomes como Dudu Nobre
Entrou na disputa e no coração do sambista
Não deu outra, fora escolhido

O samba é uma espécie de declaração
Conta bem o enredo
A primeira pessoa dá o tom de emoção
Num enredo tão importante no mundo de hoje
Que está carente de tolerância, amor, igualdade, paz, harmonia

O samba venceu nas graças da comunidade
Em seus versos incorporou uma prova de amor
E precisa vencer mais barreiras
As pessoas precisam dessa prova de amor
A "pátria da esperança"como a obra cita
Precisa conhecer e se comover
Com a magnitude da mensagem deste samba

Kaô Kabesilê Xangô!


O samba:
VIRADOURO NO COURO DO TAMBOR
PEDIU A OXUM E XANGÔ (ORA YÊ, YÊ, KAWÔ)
E A OLODUMARÉ, NO IFÉ
QUE O AFRICANO CAMINHEIRO
DESÇA EM SOLO BRASILEIRO
PRA FALAR DA LUZ DE NAZARÉ
O PORTA-VOZ DA HARMONIA E DA PAZ
O MENSAGEIRO DOS ORIXÁS
ENFIM, JÁ BAIXOU NA ALDEIA
QUE APARECIDA CLAREIA
COM A BENÇÃO DO CRISTO REDENTOR
E A SAPUCAÍ INCENDEIA NA CHAMA DA SUA CANDEIA... INCORPOROU

MEU NOME É ALABÊ DE JERUSALÉM
VOLTEI A TERRA PRA MATAR SAUDADE
VIM FALAR DE AMOR, DE TOLERÂNCIA E IGUALDADE

CRUZEI EGITO, ROMA E JUDEIA  
AMEI JUDITH, A FLOR DE CESAREIA  
O REI DOS REIS QUE CONHECI SE ESPANTA E CHORA
COM ESSA GUERRA SANTA
QUE SANGRA ESSE PLANETA AZUL
Ó MEU BRASIL, CUIDADO COM A INTOLERÂNCIA
TU ÉS A PÁTRIA DA ESPERANÇA
À LUZ DO CRUZEIRO DO SUL
UM PAÍS QUE TEM COROA ASSIM TÃO FORTE
NÃO PODE ABUSAR DA SORTE
QUE LHE DEDICOU OLORUM

KAWÓ KABIESILÉ XANGÔ
ORA YÊ YÊ, MAMÃE OXUM DO OURO
SÃO JOÃO BATISTA QUE ME BATIZOU
É O PROTETOR DA MINHA VIRADOURO

sábado, 1 de agosto de 2015

Ouça agora a voz de toda Renascer!

   Hoje irei falar sobre uma escola de samba que embora não seja considerada grande pela mídia, tem um ponto muito positivo consigo. A Renascer de Jacarepaguá é uma das escolas que disputam a série A do carnaval carioca. Conta com uma passagem pelo grupo especial, em 2012, e com sambas essencialmente belos em seus quase 23 anos de folia.
   A escola traz em seus enredos um espírito leve, alegre e descontraído e tem chamado a atenção pela qualidade dos seus sambas. Sua ala de compositores vem apresentado uma regularidade que impressiona, mesmo que seus últimos sambas tenham sido encomendados, eles ainda mantém o alto nível das obras. 
   Sambas como "Como vai, vai bem? Veio a pé ou de trem?" de 2009, o campeão "Águas de Março" de 2011, "Olhar caricato, simplesmente Lan" de 2014 e o premiado com estandarte de ouro "Candeia, manifesto de um povo em forma de arte" nos fazem refletir que mesmo passando por dificuldades financeiras para fazer seus desfiles a escola ainda nos brinda com sua harmonia contagiada pelas belas obras. Ah, se não fosse o dinheiro...
   Para 2016 mais uma obra encomendada em "Ibejis - Nas brincadeiras de criança: Os orixás que viraram santos no Brasil" promete encantar novamente os sambistas e torcedores da agremiação. Mais uma aula de samba, mais uma vez percebe-se que samba bom não é só no especial e que a Renascer tem sim história pra cantar...

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Eliminatórias, entre o sagrado e o profano

 
  Entre os meses de Julho a Outubro as quadras das escolas de samba ficam movimentadas, é a etapa de eliminatória de sambas. Compositores se reúnem em parcerias ou mesmo em obras solo para tentar levar sua letra para a avenida no ano que está por vir. Um período interessante e um pouco cruel, pois não é fácil se apegar a um samba e ele perder. Muitos não acompanham, ouvem só as finais ou ouve pouco para evitar o acontecimento ali acima citado. Mesmo assim é mais um fenômeno que prova que carnaval não só em fevereiro (meio clichê, mas verdade).
   E junto com esse período vem as já tradicionais análises dos "sambistas" que mal veem o título do enredo e já rebaixa a escola, difama o enredo pelos quatro cantos possíveis do Brasil e se possível por cinco cantos, o dos grupos das redes sociais. Essa figura está sempre presente e para 2016 não é diferente. Entretanto, uma ação contrária está acontecendo com igual força - acredito que ocorra todo ano também, mas esse ano está especial - a marcha que reconhece e apoia grandes obras que estão entre os concorrentes.
   Como não destacar a maravilhosa safra da Mocidade Alegre e a força de Ayó lá pelas terras da garoa? Ou os sambas das parcerias de Turko e Godoi na Dragões da Real? Pelas bandas da cidade maravilhosa o samba da compositora Denise Reis encantou por tentar resgatar a cadência de sambas antigos, o samba de Zé Katimba vem emocionando num enredo que diziam ser um dos piores do ano (Zezé de Camargo e Luciano) e não podemos esquecer dos sambas do Marcelo Motta e do Xande de Pilares na malandragem do Salgueiro com seu formato de mata-mata. Todas essas verdadeiras obras-prima. E tem muito samba ainda para se revelar.
   2016 traz enredos diferenciados nos grupos principais e nos grupos de Acesso, a originalidade da série A carioca mais uma vez impressiona os sambistas que enchem os corações para defendê-los e não deixar que o mal virtual contagie negativamente essa etapa. O que resta agora é esperar e torcer muito para as diretoria das escolas façam as melhores escolhas para defender seus pavilhões em mais uma folia de momo.