
Entretanto os mangueirenses verdadeiros não desanimaram. Tinham sim consciência que era tarefa difícil, faltava talvez um amadurecimento, mas tinham mais consciência ainda dos trabalhos que estavam sendo realizados para fazer um desfile maravilhoso. E eis que chega a grande noite. Escolas favoritas passaram, escolas que infelizmente tiveram problemas também e a última escola do ano, a verde e rosa esperava a sirene para fazer seu show. Minutos antes, o carnavalesco Leandro Vieira foi pedir a benção para Maria Bethânia - a homenageada da escola - para fazer um grande desfile. Quando o sinal foi dado, algo maravilhoso aconteceu.

O chão ficou colorido de verde e rosa, a comunidade e o sambódromo abraçaram o samba desde a guarra da comissão de frente até o emocionante último carro. Surpresa maior estava junto de Squel, a primeira porta bandeira, que num truque de maquiagem apareceu careca. Incrível o poder de identificação do enredo junto ao primeiro casal.
Abre-alas imponente de Oyá, fantasias com menos verde e rosa no início, mas mesmo assim um conjunto de deixar os olhos marejados. Fazia tempo que a escola não passava tão bonita! A bateria? Levou o público ao delírio junto com sua grande rainha Evellyn da comunidade numa explosão de ritmo e cadência. Nem mesmo um dos carros que ora acendia suas luzes ora apagava diminuiu o brio no olhar dos mangueirenses. Maria Bethânia veio no último carro mandando beijos, abraços e descalça girava numa ação de graça. Ao final a consagração: O público promoveu um "arrastão" cantando o samba da escola, que caiu nas graças de uma terça-feira gorda.

E os outros sambistas? Sempre vão haver aqueles que discordam, claro. Para cada uma que vencesse seria uma justificativa desgostosa. Porém o samba abraçou o fato. Muitos sambistas estavam felizes pelo belo trabalho ser coroado com a primeira colocação, o samba em seu centenário parecia receber de braços abertos tamanho presente. No desfile das campeãs a Portela levou uma homenagem à escola campeã e o público novamente delirou na passagem da campeã do carnaval carioca de 2016.

O samba? Parecia já cantar a vitória discretamente em seu refrão
"Chegou a hora, não dá mais pra segurar"

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